Archive for the ‘desconfortos’ Category

sétima do singular

abril 18, 2012
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vem sempre aqui?

outubro 27, 2011

nem.

perder Paris, salvar Paris

dezembro 1, 2010

alinhamento

março 18, 2010

Mudarei o alinhamento dos meus poemas
eles ficarão mais elegantes
eles ganharão esse jeito de epígrafe
eles se tornarão mais facilmente citáveis
eles serão efetivamente mais citados

Mudarei o alinhamento dos meus poemas
como num desvario
como num simples clique em falso

Mudarei o alinhamento dos meus poemas
por mero capricho visual
por saco cheio do atual padrão
por ter me dado conta de que a esquerda é convencional
por ter involuntariamente feito uma metáfora de seríssimas implicações
por prazer de ver as letras surgindo correndo passando fugindo mordendo empurrando as outras para o lado como loucas
por puro acaso

Mudarei o alinhamento dos meus poemas
também o das minhas roupas
também o dos móveis da sala
também o do horizonte

Mudarei o alinhamento dos meus poemas
a orientação do meu olhar
a inclinação da minha letra
a pespectiva que tenho sobre os acontecimentos marcantes da infância
a obliquidade das respostas quando questionado sobre planos para o futuro
a retidão das minhas incoerências
a precisão com que gaguejo
a curvatura da minha espinha

tio Mário

fevereiro 17, 2010

Onze-horas


Quando tio Mário saiu da garagem
empurrando a bicicleta até o portãozinho da frente
numa noite anormalmente fresca de verão
já passava das dez horas
e ele ainda não sabia.

Quando tio Mário montou na bicicleta
levava certamente na cabeça
o ritual de pontualidade britância das onze-horas
acontecendo no pátio de casa
(descobrira na mesma tarde uma senhora
a não muitos quarteirões dali
que lhe daria algumas
já que além de bom papo, o danado
tinha mão boa para plantas)
mas onze da manhã só no dia seguinte
e ele ainda não sabia.

Quando tio Mário pedalava
adentrando escuras ruas e esburacadas
em ritmo de caminhada
eu dormia profundamente
em meu fuso-horário mais perto das onze
sem saber da bicicleta
sem saber das flores
sem saber da noite anormalmente fresca de verão
sem saber de nada
nem que ele ainda
não, ele ainda não sabia.

Quando tio Mário parou
(quantos minutos depois? talvez cinco)
ele ainda não sabia.
Não sabia do poste
em que haveria de se escorar
para recuperar o ritmo cheio de chiado de sua respiração.
Não sabia da ardência
do aperto, do lado esquerdo
ou, como era costume, não levou a sério.
Não sabia que passantes
quaisquer, desconhecidos
sabem sim o que é impulso
de humana compreensão.
Não sabia que seu filho
que não é piloto de Fórmula 1
embora devesse
pudesse chegar em sete minutos
no Instituto de Cardiologia de Porto Alegre
(sete minutos
isso vindo de Canoas
e sem cinto de segurança).
Não sabia que no Túnel da Conceição
também pode acontecer
além de engarrafamentos irremediáveis
tudo o que cabe no silêncio
(inclusive silêncio)
como uma flor que se abre
doze horas antes do combinado
nem que um sobrinho
poeta e incapaz
de distinguir nanquim e lágrima
escreveria um poema
no dia seguinte
isso ele também não sabia.

um silêncio de cada vez

dezembro 8, 2009

Poesia: estado
de mudo analfabetismo
bem organizado.

quarta-feira

agosto 31, 2009

Sinuca POA

Quem não for, bobeou.

cabalismo informativo sem compromisso

julho 21, 2009

Saiu na revista Vida Simples do mês de agosto, de número 82, um poema do meu Desencantado carrossel.
Está lá na seção Postais poéticos, página 82, e vem acompanhado de uma belíssima ilustração do Conrado Almada.
A Carol Bensimon, nascida em 82, assina, também nessa edição, uma entrevista com o filósofo francês Michel Onfray.

*

Uma das minhas avós, de quem só tenho uma – e a mais antiga – lembrança (muita claridade, a cama bem embaixo da janela, a voz rouca e alguma coisa misteriosamente guardada sob o travesseiro), faleceu em 82.
Da outra eu me lembro bastante: morou na minha casa até sua morte, aos 82 anos.

*

Eu tenho 28 anos, sou poeta, namoro a Carol e não conheci nenhum dos meus avôs.

um p(r)o(bl)ema novo

junho 5, 2009

Ralo


Ocorre que me escorro
ultimamente
pelos ralos
em ralos pelos
emaranhados tufos
deste louro
que me é caro
e que na superfície
sempre mais lunar
do crânio
do couro
fica raso e raro
avaro
cheio de intervalos
e entradas
sem saída:
duas enseadas
de pura testa
frontes de uma guerra
piloglandular
funesta
perdida


Restam-me as quimeras
da finasterida
a ilusão dos anti-queda
no transplante uma esperança
uma espera
uma fé publicamente inassumida
a esmola dos que têm menos
os fantasmas nos espelhos
e o consolo de que os brancos
pelo menos esses
quando vierem
serão poucos

tudo ZH

maio 27, 2009

A matéria de capa do Segundo Caderno da Zero Hora de hoje trata dos novos autores do RS, ou da nova onda literária, ou da – acabei de descobrir – geração 80 da literatura gaúcha. O panorama da juventude literária foi traçado pelo Carlos André Moreira, jornalista e editor de livros da ZH, com quem conversei por e-mail.

zh80

A função toda pode ser lida aqui, e continua aqui. Tem também a opção folhear-as-páginas-e-fazer-de-conta-que-está-lendo-o-jornal-de-verdade, mas se você realmente quer isso, vai ter que aprender sozinho. Ok?
E de brinde, as entrevistas completas com cada um dos autores envolvidos foram lá pro blog Mundo Livro. A minha, facilitando a caminhada, está bem aqui.