Archive for junho \08\UTC 2010

Norge (1898-1990)

junho 8, 2010

Despertar


O amanhecer poroso
que eflui,
reabita
nossos embaçados pensamentos

A gente se entoga uma vez mais
com o falso traje de nós mesmos.

A gente reengessa a máscara de ontem
nesse rosto tão temeroso
de sua nudez.

A gente pega de volta a vida – dobrada
sobre uma poltrona
ao pé da cama –
como uma roupa escolhida a dedo.

A gente cataloga a imprecisa
moeda das palavras que será preciso dizer,
a confusa mercadoria dos gestos
que será preciso fazer

Para continuarmos logrados
pela própria descrição.

E todo mundo acha natural
não ter se tornado
um outro.


* * *


Réveil


Le petit jour poreux
qui efflue,
réhabite
nos vitreuses pensées

On s’entoge encore une fois
du faux habit de soi-même.

On replâtre le masque d’hier
à ce visage trop frileux
de sa nudité.

On reprend sa vie – pliée
sur un fauteuil
au pied du lit –
comme un vêtement qu’on soigne.

On s’inventorie la risqueuse
monnaie des paroles qu’il faudra dire,
la trouble marchandise des gestes
qu’il faudra faire

Pour demeurer la dupe
de son signalement.

Et chacun trouve naturel
de n’être pas devenu
un autre.

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