Henri Meschonnic, dois poemas

entre cada palavra um deserto
no interior das palavras o
deserto
e em cada letra eu
sou grato
ao silêncio
por tudo o que me permitiu
gritar


* * *


sim
sou eu
que falto às palavras
não as palavras que me faltam eu devia
ter dormido quando não
precisava eu não estava
presente quando fizeram-lhes
dizer o que eu não queria
desde então eu trabalho para o silêncio
eu amontoo a ausência das palavras
eu deixo um lugar vazio em
tudo o que é dito é o
lugar da palavra a ser dita para que
o mar cesse
as pedras subam
eu sou o vazio
dessa palavra


* * *


entre chaque mot un désert
à l’intérieur des mots le
désert
et à chaque lettre je
suis reconnaissant
au silence
pour ce qu’il m’a permis de
crier


* * *


oui
c’est moi
qui manque aux mots
non les mots qui me manquent j’ai
dû dormir quand il ne
fallait pas je n’étais pas
présent quan on leur a fait
dire ce que je ne voulais pas
depuis je travaille pour le silence
j’amasse l’absence des mots
je laisse une place vide dans
tout ce qui est dit c’est la
place du mot à dire pour que
la mer s’arrête
les pierres montent
je suis le vide
de ce mot


Combien de noms, L’improviste, 1999.

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