eu-língua-ele

Esta língua que falo e que escrevo, eu não a escolhi, eu não a constituí. Mesmo que o esforço do estilo a flexione um pouco, ela continua antes de tudo uma língua comum, destinada à partilha. A língua é a mais estrita intimidade, em nós, do mais comum. Uma forma de manter e de levar singularmente o que é de todos. De modo que, ao escrever, me parece que eu busco em mim menos de singular que de semelhante, uma maneira, de qualquer modo, de articular minha singularidade ao semelhante e, então, de me fazer presente. Hipoteticamente, eu me cerco de uma comunidade: a dos leitores. O escritor não pára de dizer àqueles que o lerão: “reconheçam-me como um de vocês”, aceitem-me entre o comum dos mortais, dêem-me minha própria vida, da qual sou tão pouco seguro.


Jean-Michel MAULPOIX, Le toucher et la voix, in Adieux au poème, Paris, José Corti, 2005, p. 106-107.

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Uma resposta to “eu-língua-ele”

  1. angélica Says:

    i am not so sure of this. :-)

    *

    2 perguntas da susan howe:

    “Who polices questions of grammar, parts of speech, connection, and connotation? Whose order is shut inside the structure of the sentence?”

    um abraço!

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