palmas atrasadas

Saiu no início do mês, mas só por esses dias é que chegou aqui, eu já me sentindo como em tempos de esperar navio com notícias de além-mar, sabendo alguma coisa assim por cima, quase que só a manchete, e então caiu finalmente em minhas mão a foto em preto-e-branco da nonagésima quinta capa da revista Aplauso, e nela seis jovens escritores, a dita nova geração não-geração da literatura gaúcha, euclidianamente divididos em três poetas e três prosadores, eu ali entre os primeiros (mais a Telma Scherer e o Jorge Bucksdricker), a Carol-companheira-de-studio no outro grupo (também o Antônio Xerxenesky e o Bernardo Moraes), e mais do que a capa que eu já conhecia em versão 300 por 370 pixels, vi as seis páginas que dedicaram aos novatos (com direito a conselho do mais experientes Fabrício Carpinejar e Paulo Scott), e fiquei me indagando se o excesso (quase disse abuso!) de escala de cinza seria opção estética, mensagem subliminar ou puramente resultado da minha combinação esdrúxula de cores no momento da sessão de fotos, coisa que eu faço sem (muita) maldade, mas que acaba causando esse tipo de constrangimento a posteriori e dá uma vontade danada de pedir desculpa pelo que nem sei se fiz ou provoquei, como quando se vê uma criança apanhando da mãe na rua só por ter olhado para um estranho (o estranho era eu?), ou quando a frase vai ficando longa demais e o ponto não quer chegar, mas quando chega pega de susto, o que é exatamente como saber há dias que se está numa capa de revista e só ficar encabulado quando a temos em mãos.

Anúncios

2 Respostas to “palmas atrasadas”

  1. Eugênia Says:

    “ou quando a frase vai ficando longa demais e o ponto não quer chegar, mas quando chega pega de susto, o que é exatamente como saber há dias que se está numa capa de revista e só ficar encabulado quando a temos em mãos.”

    Gostei demais da matéria da Aplauso. Comprei a revista e reconheci alguns de vocês só depois de muitas páginas da capa.
    PS. Escala de cinza deixa tudo bem minimalista. :)
    Abraço

  2. Diego Grando Says:

    Pois a tese, Eugênia, do minimalismo, eu não tinha cogitado. =)
    Abraço!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: