Archive for outubro \31\UTC 2008

palmas atrasadas

outubro 31, 2008

Saiu no início do mês, mas só por esses dias é que chegou aqui, eu já me sentindo como em tempos de esperar navio com notícias de além-mar, sabendo alguma coisa assim por cima, quase que só a manchete, e então caiu finalmente em minhas mão a foto em preto-e-branco da nonagésima quinta capa da revista Aplauso, e nela seis jovens escritores, a dita nova geração não-geração da literatura gaúcha, euclidianamente divididos em três poetas e três prosadores, eu ali entre os primeiros (mais a Telma Scherer e o Jorge Bucksdricker), a Carol-companheira-de-studio no outro grupo (também o Antônio Xerxenesky e o Bernardo Moraes), e mais do que a capa que eu já conhecia em versão 300 por 370 pixels, vi as seis páginas que dedicaram aos novatos (com direito a conselho do mais experientes Fabrício Carpinejar e Paulo Scott), e fiquei me indagando se o excesso (quase disse abuso!) de escala de cinza seria opção estética, mensagem subliminar ou puramente resultado da minha combinação esdrúxula de cores no momento da sessão de fotos, coisa que eu faço sem (muita) maldade, mas que acaba causando esse tipo de constrangimento a posteriori e dá uma vontade danada de pedir desculpa pelo que nem sei se fiz ou provoquei, como quando se vê uma criança apanhando da mãe na rua só por ter olhado para um estranho (o estranho era eu?), ou quando a frase vai ficando longa demais e o ponto não quer chegar, mas quando chega pega de susto, o que é exatamente como saber há dias que se está numa capa de revista e só ficar encabulado quando a temos em mãos.

Tristan Tzara

outubro 26, 2008

papel de pão

outubro 19, 2008

A BAGUETE DE TRADIÇÃO FRANCESA


Decreto n° 93-1074, de 13 de setembro de 1993 (Extratos)

O Conselho de Estado (Setor de Finanças)
decreta:

ART. 2 – Só podem ser postos a venda ou vendidos sob a denominação de “pão de tradição francesa”, “pão tradicional francês”, “pão tradicional da França” ou sob denominação que combine esses termos, os pães que, independente de sua forma, não tenham sofrido nenhum tratamento de congelamento no decorrer de sua elaboração, não contenham nenhum aditivo e resultem do cozimento de uma massa que apresenta as seguintes características:

1° – Ser composta exclusivamente de uma mistura de farinhas panificáveis de trigo, de água potável e de sal de cozinha;

2° – Ser fermentada com a ajuda de levedura para pão e/ou de fermento natural.

ART 4. – O fermento natural é uma massa composta de farinha de trigo e/ou de centeio, de água potável e submetida a uma fermentação natural acidificante, cuja função é assegurar a leveza da massa.


Feito em Paris, 1° de setembro de 1993, pelo Primeiro Ministro, o Ministro da Economia, o Ministro do Estado, o Ministro da Justiça, o Ministro da Agricultura e da Pesca.


o.lit.

outubro 11, 2008

Então existe um cara chamado Paulo Scott, e esse cara trabalha o tempo todo (=vive) em prol de uma literatura menos bunda-mole-salto-alto, seja na própria produção em prosa e poesia, seja na organização de eventos literários, tais como Popular, Pocket, Na Tábua, Vocabulário e por aí vai, isso muito além dos limites portoalegrenses, bien sûr. E agora surge mais uma dele, algo que se chama orquestra literária e parece bacana pra dedéu.

Quem já viu algo produzido pelo Scott logo entende que o termo orquestra está ali pelo paradoxo e pela provocação, já que a idéia é justamente fugir do academismo-louvor-ao-passado não só no terreno do conteúdo, mas também no da forma, o que transforma oboés, clarinetes, harpas e tubas em música eletrônica, obviamente regidas por um DJ. Por cima disso tem gente cantando, gritando, atuando, lendo, tocando, enfim, interpretando textos de autores contemporâneos, e voilà um digníssimo Concerto literário para voz & base eletrônica, que estréia em São Paulo nos dias 15 e 16 de outubro. Não estivesse em Paris, ai ai, eu iria pra lá correndo, até porque alguns dos poemas a ser EXECUTADOS no evento integram o meu Desencantado carrossel, fato que me deixa lisonjeado até as pontas duplas dos meu cabelos louros.

Vai logo abaixo o serviço completo, direto do site do SESC-SP, e mais abaixo ainda a lista dos autores e obras, gentilmente roubada da Bruna Beber.

Quem estiver lá, por favor, me conta como foi.


MOSTRA SESC DE ARTES 2008: CONCERTO LITERÁRIO PARA VOZ & BASE ELETRÔNICA

A partir de trechos curtos de textos de autores contemporâneos e outros produzidos especialmente para o projeto, este encontro literário é composto por um conjunto de peças inéditas executadas ao vivo por um MC (Paulo Scott); um músico (Flu); um DJ-intérprete (Rodrigo Penna); uma atriz (Fernanda D’Umbra); e uma cantora (Simone Carvalho).

Com a presença dos escritores: Índigo, Michel Laub, Tony Monti e Verônica Stigger. Participação especial de João Gilberto Noll.

SESC Avenida Paulista
Dia(s) 15/10, 16/10
Quarta e quinta, 21h.


AUTORES E OBRAS DE ONDE OS TRECHOS FORAM TIRADOS

Ademir Assunção, Cinemitologias./ Alice Sant’anna, Dobradura./ Angélica Freitas, Rilke shake./ Antonio Cicero, A cidade e os livros./ Bruna Beber, A fila sem fim dos demônios descontentes./ Bruno Brum, Cada./ Caco Ishak, Dos versos fandangos ou a má reputação de um estulto em polvorosa./ Cândido Rolim, Camisa qual./ Carlos Besen, Uma luz no aquário./ Chacal, A vida é curta para ser pequena./ Diego Grando, Desencantado carrossel./ Fabio Weintraub, Baque./ Fabrício Carpinejar, Cinco Marias, Como no céu, Livro das visitas./ Fabrício Corsaletti, Estudos para o seu corpo./ Frank Jorge, Realidades e chantillys diversos./ Joca Reiners Terron, Hotel Hell./ Luiz Ruffato, As máscaras singulares./ Mara Coradello, Colecionador de segundos./ Marcelino Freire, Balé Ralé./ Marcelo Montenegro, Orfanato portátil./ Marcos Losnak, Um urso correndo no sótão./ Maria de Lourdes Ferreira Alves, Velho é o espelho./ Mariano Marovatto, Domingos Guimaraes e Augusto de Guimaraens, Amoramerica./ Mário Bortolotto, poema postado no blog Atire no Dramaturgo./ Michel Melamed, Regurgitofagia./ Omar Salomão, À deriva./ Ronaldo Bressane, Impostor./ Sandro Ornellas, Trabalhos do corpo e outros poemas físicos./ Sergio Mello, No banheiro um espelho trincado./ Virna Teixeira, Distância./ Xico Sá, Se um cão vadio aos pés de uma mulher-abismo.

pique-poesia-nique

outubro 5, 2008

petite plainte

outubro 2, 2008

o proble-
ma é que nin-
guém pergun-
ta sobre sen-
sação e efei-
tos de mo-
rar em ou-
tro hemis-
fério

(fora isso:
sem mistério)