deslumbre-me

Cortar as unhas me deu a sensação de morar verdadeiramente em Paris. Jogá-las pela janela, então, foi a integração completa. Ok, je rigole. Em menos de uma semana é impossível estar totalmente adaptado, e nesse espírito qualquer trajeto é feito deliciosamente a pé, tudo com jeito de descoberta e um pouco de dor nas pernas no final do dia. Mesmo já tendo estado aqui antes, ou justamente por isso, todos os lugares me dizem muitas coisas diferentes, seja uma lembrança (do que da outra vez conheci ou deixei de), uma informação histórica, uma comparação inevitável, uma tentativa de conversão ao judaísmo ou uma vontade de ficar só-olhando-mesmo. Mas todos, todos esses lugares insistem em dizer que moro aqui, e que tanto Louvre, Notre-Dame e Tour Eiffel quanto mercadinhos árabes, farmácias e açougues fazem parte de um mesmo contexto (esses últimos, aliás, é que dão à coisa toda o aspecto de vida real, e não turismo prolongado) e podem ser medidos por um único sistema referencial que é o meu (nosso) apartamento. Pompidou? Aqui do lado. Place des Vosges? Pega a rua de trás e segue reto, chega em dez minutos. Rue de Rivoli, não esqueçam, logo ali. E é assim que uma outra língua, um outro tipo de tomada e uma outra umidade relativa do ar vão começando a fazer parte da vie quotidienne. Enquanto meus lábios racham, chers amis, eu racho o bico.

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