dentro

Tempo, vida, poesia é uma compilação em livro de uma série de oito entrevistas que Drummond concedeu à jornalista Lya Cavalcanti, na PRA-2 (Rádio Ministério da Educação e Cultura). Memórias, curiosidades e frustrações, num clima de bate-papo sem muita intenção, vão se alternando e se unido umas às outras.
Segue um trecho em que ele fala sobre seu início literário.

Que país é esse, dentro do país em que vivemos, onde tudo se passa mais dentro de nós mesmos do que fora de nós? A gente escreve um poema, por exemplo (uma poesia, como se falava antes do modernismo). Três, quatro amigos o lêem na roda do café sentado, e o comentam: gostei, não gostei, fraquinho, ótimo, convém mudar este verso. A revista o publica, daí a um mês. Mais três ou quatro pessoas dizem o que leram, e arredonda-se o vácuo em torno de nossa criação sofrida e amada, que nos daria a glória. Neste faz-de-conta de vida literária esgotam-se quatro, cinco anos de faculdade e vadiação. Depois, cada um dos cúmplices do poeta vai para seu destino na vida, e não acontece mais nada. Dou a você um quadro da atividade literária na província dos anos 20. A literatura vivia em mim, não existia lá fora.

Ainda bem que agora TUDO mudou.

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