sobre cafés, em Torradas

Torradas bem poderia ser o nome de um estado norteamericano, algum lugar perdido entre o Arizona e Oregon, com todos os trocadilhos permitidos, é claro. Mas é só o que eu e o Diego Altieri degustávamos ontem, enquanto dividíamos uma fanta laranja no Antônio do campus central. Palavra puxando palavra, os copos plásticos sobre a mesa foram a senha para minha insatisfação, e também o motivo para que a conversa escorregasse para o assunto ‘plástico’, e logo do plástico ao isopor, do isopor ao cafezinho, e do cafezinho dentro do isopor à minha preferência pelas xícaras.
Mesmo fazendo concessões escabrosas, tendo por exemplo que engolir com um gole de fanta a refutação do argumento MUDANÇA DE SABOR pela inaceitável acusação de FRESCURA, minha preferência se manteve como a alternativa aparentemente mais ecológica. Isso depois que lancei o desafio de medir o impacto ambiental causado pelo consumo de café em xícaras versus copinhos de isopor (os copinhos de plásticos foram previamente descartados da pesquisa pelo critério do bom senso).
Em resumo. A primeira opção envolve basicamente a quantidade de água consumida para lavar o conjunto xícara-pires-colherinha. Já a segunda envolve não só a destruição da natureza necessária para a produção dos copos (uso a expressão abstrata “destruição da natureza necessária” por absoluta ignorância sobre o processo de fabricação do isopor, e mais absoluta ainda sobre o de copos de isopor), mas também a produção dos palitos-plásticos-com-função-de-colher. Soma-se a isso o lixo inevitavelmente deixado após o consumo, o que deve envolver (é o mínimo que espero) uma conversinha sobre reciclagem. De brinde, deixo de fora toda a análise do impacto causado pela porquice humana, que resulta em copos entupindo bueiros ou simplesmente correndo pelas calçadas, pela dificuldade de calcular.
Não sei como quantificar a variável ‘tempo de uso do recipiente’, que não deve passar de uns dez minutos (no caso de cafés looongos ou dos que gostam de café frio), nem como relacionar o consumo de água a tudoaquilocausadopeloisopor. Mas tudo me leva a crer, mesmo com AQUELA concessão esdrúxula, que o uso de xícaras é altamente recomendável. Palpite, intuição ecológica, ou como quiser chamar.
O Altieri diz que tem a ver com uma coisa chamada “análise de ciclo de vida”. Espero que ele, engenheiro o suficiente para tentar calcular isso de verdade, tenha respostas. Caso contrário, ganho de vê-ó. E essa história vira lenda, sussurro de vento em copo de vidro, espirro no vácuo, papo de boteco numa cidade-fantasma de Torradas.

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8 Respostas to “sobre cafés, em Torradas”

  1. diego altieri Says:

    desafio lançado.
    desafio aceito.
    em breve saberemos a verdade, ou não.

  2. Cris Says:

    que bom que tens um blog…
    gosto tanto de ler o que tu escrever
    tanto, tanto
    já add aos favoritos
    =D

    saudades, ex-colega das quartas à tarde

  3. r. Says:

    O poliestireno (isopor) é um homopolímero resultante da polimerização do monômero de estireno.

  4. Diego Grando Says:

    Veja bem: há TREZE palavras nessa definição. Eu ignoro totalmente o sentido de CINCO. Tirando preposições, artigos e verbos de ligação, que totalizam SEIS e são café-com-leite, restam DUAS: ‘isopor’ e ‘resultante’. Entende por que eu não entendo o processo de que resulta o isopor?

  5. r. Says:

    Isopor é o quinto álbum da banda brasileira de pop rock Pato Fu. Lançado em 1999, assim como o álbum anterior, conta com a produção de Dudu Marote. A capa do disco mostra as faces dos quatro integrantes do grupo dispostas em forma de cruz e em meio a bolas de isopor.

  6. Diego Grando Says:

    Ótimo. Obrigado. Pena que essa é uma daquelas duas que eu já conhecia.

  7. r. Says:

    A resultante de dois polinômios mônicos P e Q sobre um corpo k define-se como o produto das diferenças de suas raízes, de onde x e y tomam valores no fecho algébrico de k. Para polinômios não-mônicos com coeficientes dominantes p e q, respectivamente, o produto acima é multiplicado.

  8. rogerio Says:

    em um país que se recicla pouco copinho de isopor, mas se economiza muito em detergente, eu fico com a xicrinha.

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