Archive for dezembro \24\UTC 2007

inversículos

dezembro 24, 2007

I

mãos dadas
o menino
leva a mãe
aborrecida do trabalho
de caixa de banco
para espairecer
no banco do parque

II

levantada
a pata
traseira e canhota
do cachorro
atrai paredes
e postes que mijam

III

o giz azul
da professora amarela
pinta o verde
do quadro-negro
(já o apagador
é multicor)

IV

de teto
o ventilador
ajusta o planeta
à rotação do quarto

V

um criado-mudo
sob o livro aberto
ao lado
dorme a cama
de cabeceira

verão, vassoura e vento

dezembro 22, 2007

Saiu um conto da Carol na Revista de Verão da Zero Hora. A belezura se chama Vassoura em sol menor e pode ser lida exatamente aqui, ok?

sobre cafés, em Torradas

dezembro 21, 2007

Torradas bem poderia ser o nome de um estado norteamericano, algum lugar perdido entre o Arizona e Oregon, com todos os trocadilhos permitidos, é claro. Mas é só o que eu e o Diego Altieri degustávamos ontem, enquanto dividíamos uma fanta laranja no Antônio do campus central. Palavra puxando palavra, os copos plásticos sobre a mesa foram a senha para minha insatisfação, e também o motivo para que a conversa escorregasse para o assunto ‘plástico’, e logo do plástico ao isopor, do isopor ao cafezinho, e do cafezinho dentro do isopor à minha preferência pelas xícaras.
Mesmo fazendo concessões escabrosas, tendo por exemplo que engolir com um gole de fanta a refutação do argumento MUDANÇA DE SABOR pela inaceitável acusação de FRESCURA, minha preferência se manteve como a alternativa aparentemente mais ecológica. Isso depois que lancei o desafio de medir o impacto ambiental causado pelo consumo de café em xícaras versus copinhos de isopor (os copinhos de plásticos foram previamente descartados da pesquisa pelo critério do bom senso).
Em resumo. A primeira opção envolve basicamente a quantidade de água consumida para lavar o conjunto xícara-pires-colherinha. Já a segunda envolve não só a destruição da natureza necessária para a produção dos copos (uso a expressão abstrata “destruição da natureza necessária” por absoluta ignorância sobre o processo de fabricação do isopor, e mais absoluta ainda sobre o de copos de isopor), mas também a produção dos palitos-plásticos-com-função-de-colher. Soma-se a isso o lixo inevitavelmente deixado após o consumo, o que deve envolver (é o mínimo que espero) uma conversinha sobre reciclagem. De brinde, deixo de fora toda a análise do impacto causado pela porquice humana, que resulta em copos entupindo bueiros ou simplesmente correndo pelas calçadas, pela dificuldade de calcular.
Não sei como quantificar a variável ‘tempo de uso do recipiente’, que não deve passar de uns dez minutos (no caso de cafés looongos ou dos que gostam de café frio), nem como relacionar o consumo de água a tudoaquilocausadopeloisopor. Mas tudo me leva a crer, mesmo com AQUELA concessão esdrúxula, que o uso de xícaras é altamente recomendável. Palpite, intuição ecológica, ou como quiser chamar.
O Altieri diz que tem a ver com uma coisa chamada “análise de ciclo de vida”. Espero que ele, engenheiro o suficiente para tentar calcular isso de verdade, tenha respostas. Caso contrário, ganho de vê-ó. E essa história vira lenda, sussurro de vento em copo de vidro, espirro no vácuo, papo de boteco numa cidade-fantasma de Torradas.

atrasado editorial

dezembro 20, 2007

criei um blog
agora posso
falar sozinho
em público

desconcerto

dezembro 14, 2007

des-
con-
fio
que
(des-
con-)
junto
palavras
des-
de
cedo.
des-
con-
verso
em
versos
des-
con-
tentes
ativas
tent-
ativas:
des-
con-
traídas
formas
de
des-
con-
tar
o
des-
con-
forto
(des-
con-
tínuo
des-
atino)
de um
des-
ca-
bido
(e clan-)
des-
tino.

#hum

dezembro 14, 2007

Nada como preencher um cheque e colocar aquele agá bonitão na frente do um. Infelizmente, nunca tive a possibilidade.
Cresci considerando a explicação dada pelo meu pai: acrescenta-se a tal consoante muda para evitar fraudes. É? Ah bom. Tento imaginar alguma outra fraude que um agá possa evitar, mas não me ocorre nada.
De qualquer jeito, continuo acreditando, pela ausência de explicação melhor e pelo bem do surrealismo.