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quarta-feira
Agosto 31, 2009cabalismo informativo sem compromisso
Julho 21, 2009Saiu na revista Vida Simples do mês de agosto, de número 82, um poema do meu Desencantado carrossel.
Está lá na seção Postais poéticos, página 82, e vem acompanhado de uma belíssima ilustração do Conrado Almada.
A Carol Bensimon, nascida em 82, assina, também nessa edição, uma entrevista com o filósofo francês Michel Onfray.
*
Uma das minhas avós, de quem só tenho uma – e a mais antiga – lembrança (muita claridade, a cama bem embaixo da janela, a voz rouca e alguma coisa misteriosamente guardada sob o travesseiro), faleceu em 82.
Da outra eu me lembro bastante: morou na minha casa até sua morte, aos 82 anos.
*
Eu tenho 28 anos, sou poeta, namoro a Carol e não conheci nenhum dos meus avôs.
um p(r)o(bl)ema novo
Junho 5, 2009Ralo
Ocorre que me escorro
ultimamente
pelos ralos
em ralos pelos
emaranhados tufos
deste louro
que me é caro
e que na superfície
sempre mais lunar
do crânio
do couro
fica raso e raro
avaro
cheio de intervalos
e entradas
sem saída:
duas enseadas
de pura testa
frontes de uma guerra
piloglandular
funesta
perdida
Restam-me as quimeras
da finasterida
a ilusão dos anti-queda
no transplante uma esperança
uma espera
uma fé publicamente inassumida
a esmola dos que têm menos
os fantasmas nos espelhos
e o consolo de que os brancos
pelo menos esses
quando vierem
serão poucos
tudo ZH
Maio 27, 2009A matéria de capa do Segundo Caderno da Zero Hora de hoje trata dos novos autores do RS, ou da nova onda literária, ou da – acabei de descobrir – geração 80 da literatura gaúcha. O panorama da juventude literária foi traçado pelo Carlos André Moreira, jornalista e editor de livros da ZH, com quem conversei por e-mail.
A função toda pode ser lida aqui, e continua aqui. Tem também a opção folhear-as-páginas-e-fazer-de-conta-que-está-lendo-o-jornal-de-verdade, mas se você realmente quer isso, vai ter que aprender sozinho. Ok?
E de brinde, as entrevistas completas com cada um dos autores envolvidos foram lá pro blog Mundo Livro. A minha, facilitando a caminhada, está bem aqui.
sobre seguir ordens
Maio 15, 2009
Eugène Guillevic
Abril 22, 2009Escrever
É pôr
Depor sobre a página,
O que não existia
Antes do sacrifício.
…
O que foi sacrificado
Não sangra, toco
Ao sair.
…
E agora,
Ele é legível, destacado
Deste homem que celebrou
Sobre si mesmo
O sacrifício.
Écrire
C’est poser
Déposer sur la page,
Ce qui n’existait pas
Avant le sacrifice.
…
Ce qui fut sacrifié
Ne saigne pas, moignon
A la sortie.
…
Et maintenant ,
Il est lisible, détaché
De cet homme qui célébra
Sur lui-même
Le sacrifice.
seriedade e vida a dois
Abril 19, 2009[...]
– Tá, será que a gente pode falar sério agora?
– Mas é claro. Um, dois, três e já.
samba-enredo particular
Fevereiro 22, 2009Este carnaval não vai ser samba não
Ser samba não
Este carnaval não vai ser rua não
Ser rua não
Este carnaval não vai ser mole não
Ser mole não
Não vai ser samba (não vai)
Não vai ser rua (não vai)
Não vai ser mole, não vai ter Momo
Ai, meu bem, aquele tempo
O mês de fevereiro
Calor o dia inteiro
Eu com dinheiro
Mas sem empolgação
Em reclusão desde sexta
Achando a vida tão besta
Abrindo a porta pra solidão
Refrão
Agora é outra, meu bem,
A realidade
Você nem sabe
Me dá vontade
De andar pelo salão
Que eu nem conheço (bem sei)
Com fantasia de rei
Ou de palhaço, ou de ladrão
Refrão
o que aprendi em Londres
Janeiro 23, 2009
28 anos sem perder a graça
Janeiro 8, 2009Sei que não é o que se espera de uma criança normal, mas algo que marcou minha infância foi o disco Chico Anysio Ao Vivo, de 1975 (o dia em que for possível baixá-lo será, sem dúvida, o dia em que absolutamento TUDO poderá ser encontrado na internet). Muito mais que um disco do Ary Toledo ou do Juca Chaves, o álbum é praticamente uma forma arcaica de stand up comedy, gênero que anda tão em alta hoje em dia. E há ali algumas piadas (várias, na verdade) memoráveis, embora ninguém para quem eu conte ache graça. E eu sempre conto. Tem a da ligeireza (Uma mulher de minissaia escorrega ao atravessar a rua e cai com as pernas abertas. Levanta rápido, e ao perceber que um desconhecido se diverte com a situação, tenta sair por cima: “Viu a ligeireza?”, ela pergunta. “Vi”, diz ele, “mas não sabia que tinha esse nome”.), também a dos tomates (O homem morava num país onde havia pena de morte. Flagrado roubando três tomates na feira, foi a julgamento. “Tu vai ser enforcado”, sentenciou o juiz. “Mas pelos tomates?”, ele questiona. “Não, pelo pescoço”.), e a do suco de laranja (“Doutor, como faço para não engravidar?”, pergunta uma mulher ao seu médico. “Ah, isso é simples: suco de laranja”. “Suco de laranja? Mas… antes ou depois?”. E o médico: “Em vez de”.), além de várias frases que uso no meu cotidiano sem fazer muito esforço, ou expressões que adapto levemente às circunstâncias, como piadas internas que não quero compartilhar com ninguém. Sem contar, é claro, os comentários que eu não entendia (me pareciam herméticos e, portanto, ainda mais interessantes) e só vim a entender anos depois (por exemplo, o de que “Bobby Moore, com esse nome, pode roubar bracelete que não dá cana”).
Mas acontece que essas piadas ruins são uma forma muito particular de eu dizer para mim mesmo (ou de perceber eu mesmo) que há ali algo de permanente, algo profundo, como uma essência, uma intuição para a falta de bom senso, uma satisfação em rir sozinho e por dentro, algo que me acompanha e, de certa maneira, eterniza (ou atualiza) minha infância. E é bacana pensar nisso na véspera do meu aniversário, e hoje passei o dia pensando nisso, não por medo de ficar cada vez mais velho e adulto, que não sou muito tentado a esse gênero de escapismos, mas por simplesmente, e do modo mais sem graça possível, lembrar que eu continuo, enfim, sendo eu mesmo.





