As palavras nos interrogam o tempo
as fere algumas vezes depois nelas
lentamente se retira.
Elas deitam sobre você como sobre uma cama de ausência
olhares pesados
tateando nesse lugar de sono onde
tudo se apaga para sempre
Assim você toca o seu próprio limite
a queimadura do branco lá
onde o silêncio é como o sopro
do último entardecer.
Les mots nous interrogent le temps
les blesse quelquefois puis en eux
lentement se retire.
Ils posent sur toi comme sur un lit d’absence
des regards lourds
à tâtons dans ce lieu de sommeil où
tout s’éteint à jamais
Ainsi tu touches à ta propre limite
à la brûlure du blanc là
où le silence est comme le souffle
du dernier soir.
Eu sei agora quão pouco
dura o coração quão pouco a luz
da manhã e que toda coisa viva
é minúscula e de pouco peso
e que toda fala não vale nada mais
que um hálito um sopro
mas
é bom que as palavras endureçam
assim obscuramente sobre soleiras
e que haja às vezes, aberta
depois de um silêncio, uma porta.
Je sais maintenant combien peu
dure le coeur combien peu la lumière
du matin et que toute chose vivante
est minuscule et de peu de poids
et que toute parole ne vaut rien de plus
qu’une haleine un souffle
mais
il est bon que les mots durcissent
ainsi obscurément sur des seuils
et qu’il y ait parfois, ouverte
après un silence, une porte.